Associação Brasileira de Zootecnistas: Desenvolvimento de Equações para Predizer o Consumo de Matéria Seca de Bovinos Nelore e Mestiços Desenvolvimento de Equações para Predizer o Consumo de Matéria Seca de Bovinos Nelore e Mestiços ================================================================================ Sebastião de Campos Valadares Filho1, José Augusto Gomes Azevedo2, Douglas dos Santos Pina2, Edenio Detmann1 Rilene Ferreira Diniz Valadares3 on 13/08/2006 18:59:00 *Professor do DZO-UFV scvfilho@ufv.br *Doutorando DZO-UFV *Professora do DVT-UFV O Brasil possui o maior rebanho comercial de bovinos do mundo e parte destes animais é terminado em confinamento. De 2000 a 2004, os confinamentos cresceram 24,5%, representando um total de 477 mil cabeças a mais (ANUALPEC, 2005). No confinamento de bovinos, os alimentos representam o componente de maior importância econômica. Variações na produção animal estão mais correlacionadas com as características de consumo de alimentos em relação a outras características da dieta, tais como digestibilidade aparente (Crampton et al., 1960). Desta forma, a predição acurada do consumo de matéria seca (CMS) é fundamental na formulação de dietas a fim de atender as exigências nutricionais, predizer o ganho de peso diário dos animais e estimar a lucratividade da exploração (NRC, 1996). Pesquisas publicadas recentemente (Lanna & Almeida, 2004) sugerem a inclusão nos programas de melhoramento genético de bovinos de corte da variável consumo alimentar residual (CAR). Embora compreendido a importância desta variável, sua limitação está em determinar o CMS individual dos animais e de estimar por equação matemática o CMS. A predição do CMS é fundamental, pois o CAR, é calculado como a diferença entre o consumo real e a quantidade de alimento que um animal deveria comer baseado no seu peso vivo médio e no seu ganho médio diário. A maior limitação dos modelos nutricionais para a formulação de rações se concentra na inacurácia da predição do CMS, gerando uma busca contínua de procedimentos para obtenção de estimativas confiáveis desta variável (Detmann et al., 2003). O NRC (1996) ressalta que devido a fatores que regulam o consumo pelos ruminantes não serem completamente compreendidos, os modelos de predição do CMS são de natureza empírica. Diferentes modelos para a predição do CMS em bovinos têm sido desenvolvidos, variando desde modelos de equações de regressões múltiplas relativamente simples a modelos teoricamente muito mais complexos englobando submodelos relativos a características de animal, alimento e ambiente (Keady et al., 2004). Em uma ampla discussão sobre modelos de predição da ingestão de alimentos, Pittroff & Kothmann (2001) avaliaram 12 diferentes modelos e independente do grau de complexidade e sofisticação matemática dos mesmos, dez desses levavam em consideração a variável “peso vivo”, denotando a grande importância da inclusão dessa variável nos modelos propostos. Segundo o NRC (1984), os requerimentos de energia são relacionados à taxa de ganho (peso vivo), dessa forma a ingestão de alimentos deve ser predita antes da formulação das dietas para satisfazerem os requerimentos. Assim, um modelo adequado também deve levar em consideração o ganho médio diário para predizer o CMS. Os trabalhos nacionais têm gerado as suas próprias equações de forma isolada, não havendo maior integração dos dados disponíveis. Uma possível análise mais abrangente de conjuntos de dados independentes, gerados em condições tropicais com animais de grupo genético, sexo, idade e ganho de peso heterogêneos, seria o mais recomendado no sentido de construir e definir equações de predição de CMS para bovinos de corte no Brasil. Desta forma, conduziu-se esse trabalho com o objetivo identificar os principais fatores que interferem no CMS, avaliar os modelos propostos pelo NRC (1984, 1996) e desenvolver e validar equações para predição do CMS a partir de um banco de dados obtido de animais de diferentes grupos genéticos, pesos ao início do experimento, submetidos a diferentes taxas de ganho e tipos de alimentos, confinados em regiões tropicais.