Associação Brasileira de Zootecnistas: O Agronegócio do Camarão O Agronegócio do Camarão ================================================================================ Paulo de Paula Mendes on 07/09/2008 17:41:00 *Prof. Associado do Departamento de Pesca e Aqüicultura/ UFRPE Introdução Estudos envolvendo camarões de água salgada datam de mais de dois séculos, quando foram publicadas as primeiras descrições taxonômicas do gênero Penaeus. No entanto, o cultivo dos camarões, deste gênero, só foi iniciado em 1934, quando o Dr. Motosaku Fujinaga (Hudinaga, 1942) obteve sucesso na desova e obtenção de pós-larvas, ao cultivar a espécie Marsupenaeus japonicus, no Japão. A partir das cinco últimas décadas, com o aperfeiçoamento das técnicas de obtenção de pós-larvas (Sistema de Galveston e o japonês), é que vários países começaram a se dedicar mais intensivamente ao cultivo dos camarões marinhos. Entretanto, verifica-se que em vários países, o cultivo desses crustáceos ainda é rudimentar, pois a grande maioria utiliza o sistema extensivo, limitando-se ao confinamento dos indivíduos jovens, sem nenhum controle populacional, erradicação de competidores e predadores e monitoramento das qualidades físicas e químicas da água do viveiro. A carcinicultura por ser uma atividade que envolve muitas variáveis para ser executada é considerada bastante complexa, principalmente ao ser comparada com as demais do setor agropecuário. Ressalta-se que ela requer todos os pré-requisitos técnicos e intrínsecos das demais, além de se ter à água que é o elemento precípuo de subsistência aos animais aquáticos. Estes fatos, juntamente com a predominante monocultura existente nos países em desenvolvimento, dificultam a escalada dessa atividade. Com base nos dados estatísticos da Food Agriculture Organization (FAO), verifica-se que a produção de camarões cultivados de 1980 a 2005 cresceu à razão de 82800 toneladas/ano (Figura 1). Durante este período a China gerou até 1992 o maior volume de produção/ano, no entanto, em decorrência das epizootias, a produtividade de suas fazendas de camarões tem decrescido, permitindo que a Tailândia no período de 1993 a 2001 posicione-se a sua frente (FAO, 2007). Apesar da produção dos peneídeos cultivados e capturados em 2005, ter atingido a mais de 3,44 milhões de toneladas, este volume não atende ao consumo mundial, o que incentiva os pesquisadores da área, procurar novas técnicas de manejo e de captura. O Brasil, apesar de possuir uma costa de 7.920 km de extensão ou 9.000 km se forem incluídas as grandes reentrâncias, tem uma posição modesta de 6o País mais produtor de camarões marinhos, com uma produção de 63134 toneladas em 2005 (Figura 2). Sua infra-estrutura básica de cultivo apesar de ter sido inicializada, no setor privado, nos anos de 1980-1981, só em 1996 foi que se tornou um agronegócio com sustentabilidade econômica. Atualmente (2008), estima-se uma produção média de 65000 toneladas, em que são utilizados 16000 ha de viveiros destinados ao cultivo do camarão marinho.