Associação Brasileira de Zootecnistas: O Zootecnista e os Sistemas de Produção de Bovinos de Corte O Zootecnista e os Sistemas de Produção de Bovinos de Corte ================================================================================ Ronaldo Lopes Oliveira1, Marco Aurélio Alves de Freiras Barbosa2, Adriana Regina Bagaldo3, Marinaldo Divino Ribeiro4 on 07/09/2008 19:40:00 *Zootecnista, Prof. Adjunto, Depto. de Produção Animal, UFBA, Salvador-BA. ronaldooliveira@ufba.br *Zootecnista, Prof. Adjunto, Depto. de Zootecnia, UEL, Londrina-PR. maafbarbosa@uel.br *Zootecnista, Profa. Adjunto, CCAA, UFRB, Cruz das Almas-BA. arbagaldo@gmail.com *Zootecnista, Bolsista PRODOC CNPq/FAPESB, DPA, UFBA, Salvador-BA. malldorr@yahoo.com.br Introdução A produção animal brasileira sempre teve como lastro a produção de carne bovina, em diferentes sistemas de produção. Exatamente por tal importância, a bovinocultura de corte brasileira é extremamente dinâmica e tem passado por extensas transformações nas últimas décadas devidas: à competição com outras fontes de proteína animal, tais como aves, suínos (Figura 1), ovinos e caprinos; à adequação da cadeia produtiva às exigências do mercado interno e externo; a problemas de ordem sanitária que envolvem nosso rebanho; e, evidentemente, ao crescimento do contingente populacional. Até meados dos anos 80, o setor apresentava um cenário extrativista altamente lucrativo, e nos dias de hoje mudou para um cenário competitivo e de rentabilidade baixa. Dessa maneira, tornou-se imperativa para os produtores de carne a busca de tecnologias e alternativas que permitam sua sobrevivência e lucratividade. Nesse novo cenário, a fazenda que era refúgio de final de semana ou veraneio de fazendeiros, passa a ser vista como uma empresa que deve ser administrada com foco sempre nos resultados eficientes do ponto de vista bioeconômico e sustentável. Neste panorama o emprego de mão-de-obra qualificada, ou seja, a atuação do Zootecnista é fundamental para a devida orientação ao bovinocultor que, evidentemente, deseja sucesso em seu empreendimento. Os índices de produção e de produtividade em bovinocultura de corte estão se elevando a cada dia. A lucratividade já foi solitária como conceito, atualmente, o mercado não aceita somente lucros, mas sim produtos com qualidade comprovada e padronizada. Por esse motivo, há esforços técnicos e políticas públicas para que tal segmento não se configure apenas em modismo e permaneça como gerador de renda líquida para o país. A média brasileira de ganho de peso vivo diário é de 0,5 kg/dia. Mesmo em sistemas bem tecnificados, nos quais o abate ocorre com animais de 24 a 30 meses e com 16 @, são insuficientes para produzir carcaça de alta qualidade, ou seja, um novilho jovem com menos de 24 meses, com carne macia e suculenta, boa cobertura de gordura e marmorização. Para alcançar esses resultados, nossa pecuária deve passar por inúmeras transformações tecnológicas e econômicas e, principalmente, culturais para se adequar à atual conjuntura de produção de carne de qualidade. Atualmente, não só o volume de produção é necessário, mas a qualidade também na medida em que a ordem vigente não é mais somente da “fazenda para o garfo”. E isso já é difícil! A taxa de abate bovina brasileira é de aproximadamente 22% (Franco & Brumatti, 2007). De acordo com esse índice zootécnico, verifica-se que nos encontramos abaixo de países como Itália (62%), México (42%), Nova Zelândia (40%), Austrália (32%) e Estados Unidos (36%). Desse modo, é possível aumentar nossa taxa de desfrute quando comparados a outros países. Deve-se levar em consideração que os sistemas de produção dos países acima citados são diferentes dos adotados no Brasil, porém, como a maior parte da nossa produção é a pasto, esse deve ser o principal foco de mudança para se alcançar maior eficiência. É evidente que devemos levar em conta o considerável aumento na nossa taxa de abate atual, comparada apenas com os anos seguintes à 3 implantação do plano real (meados da década de 90), quando o consumo interno de carne bovina foi alto, o que naquela ocasião alavancou o abate. Há o dito popular “o olho do dono é que engorda o boi”, já que o produtor dedica de um modo geral, a maior parte dos seus esforços na fase de engorda de seus animais. Isto se deve ao fato da entrada dos recursos financeiros relativos à venda do boi ao frigorífico. No entanto, o Zootecnista que conhece a importância das outras fases do sistema produtivo e das variáveis econômicas sabe que as outras fases da criação também merecem a mesma atenção e cuidados que a da terminação, uma vez que podem residir pontos de estrangulamento, bem como perdas de eficiência e de dinheiro. Evidentemente, como já explanado, não é apenas na unidade produtora ou a fazenda de bovinos de corte que o Zootecnista deve manter atenção, outros elos da cadeia produtiva são tão importantes quanto, e devem ser olhados com total atenção. No Brasil, o manejo mais eficiente dos animais de produção, que está altamente correlacionado a ações específicas do Zootecnista, tais como a nutrição, o manejo reprodutivo, o melhoramento genético, o bem estar animal, dentre outras, tem levado à maior eficiência reprodutiva dos rebanhos. Atualmente, a taxa de natalidade está em torno de 60%, o que representa intervalo médio de partos de 20 meses. Aliado ao fato que, entre os produtores, é comum destinar os piores pastos a estes animais, torna-se capital a mudança de foco para melhorar a eficiência reprodutiva e assim aumentar o número de bezerros e, conseqüentemente, a produção de carne brasileira, o que diminuirá o tempo ocioso da matriz no rebanho. Conteúdo *Números da Bovinocultura de Corte *Sistemas de Produção *A Contribuição do Zootecnista para a Evolução da Cadeia de Bovinos de Corte *O Valor Agregado do Zootecnista para o Sistema de Produção Considerações Finais Acreditamos com o exposto que o Zootecnista deve ser agente ativo na cadeia produtiva da bovinocultura de corte, por intermédio de uma formação sólida aliada a um eficiente programa de preparação e treinamento específico além da área tecnológica, com aprofundamento em gestão e empreendedorismo. Acreditamos que este vai ser o grande diferencial profissional que ofereceremos ao mercado de trabalho e conseqüentemente ampliá-lo, em especial na atuação na cadeia. A conquista de espaço na área de produção de carne bovina é uma relação direta e proporcional à competência profissional e é aí que devem-se apegar aqueles que querem sucesso nessa empreitada.