Associação Brasileira de Zootecnistas: O Zootecnista e as Biotecnologias em Nutrição de Aves e Suínos O Zootecnista e as Biotecnologias em Nutrição de Aves e Suínos ================================================================================ Fernando Guilherme Perazzo Costa*, José Humberto Vilar da Silva, Cláudia de Castro Goulart, Denise Fontana Figueiredo, Rodrigo Barbosa Lima on 07/09/2008 19:55:00 *Departamento de Zootecnia do CCA da UFPB, Areia – PB *fperazzo@cca.ufpb.br Introdução Essencialmente ligado aos sistemas de produção, o Zootecnista está presente em todas as etapas que envolvem a criação de rebanhos para a alimentação humana e indústria alimentícia. Sendo a nutrição animal uma das principais bases da produção, o Zootecnista deve estar sempre atento às inovações tecnológicas que resultem em aumento da produtividade da criação, bem como da quantidade e qualidade dos produtos de origem animal. Não existe nenhum outro profissional ligado às ciências agrárias que conheça tanto de nutrição e alimentação animal quanto o Zootecnista. Cabe a este profissional o desenvolvimento ou a correta aplicação de tecnologias que possam otimizar o aproveitamento dos nutrientes e possibilitar a flexibilização das formulações com o uso de ingredientes alternativos. Dentre as áreas de atuação do Zootecnista, destaca-se a nutrição de aves e suínos. Nenhum ramo da atividade agropecuária se desenvolveu tanto e teve tantos investimentos em tecnologias nos últimos anos quanto a avicultura e suinocultura. A carne suína é a mais produzida e consumida no mundo e, no ano de 2007, a produção apresentou um crescimento de 6,5%, enquanto a exportação aumentou 14% em relação ao acumulado no ano de 2006 (Suinocultura Industrial, 2008). A segunda em volume de produção é a carne de frango. No acumulado de 2007, foram abatidas 4,4 bilhões de unidades de frango no mercado brasileiro, representando um aumento de 10,9% no volume abatido, comparativamente ao ano anterior (Avicultura Industrial, 2008). A carne bovina ocupa a terceira posição no ranking mundial, com 50 milhões de toneladas e com crescimento de 1% no período. No Brasil as cadeias produtivas de aves e suínos são modernas, tanto quanto as dos países desenvolvidos e normalmente são coordenadas pelas agroindústrias processadoras da carne. O Brasil ocupa o 2º e 3º lugares no ranking de maiores produtores de carne de frango e suína, respectivamente (Grolli, 2007). Padrões internacionais de qualidade estão sendo utilizados no produto brasileiro de forma a atender as exigências dos consumidores quanto à segurança alimentar e evitar a aplicação de barreiras não tarifárias às nossas exportações. Constatam-se também avanços nas alternativas de redução do impacto ambiental da produção em diversas regiões (Talamini, 2005). Desta forma, percebe-se que o desenvolvimento da cadeia produtiva no mundo globalizado está cada vez mais rápido, exigindo das pessoas envolvidas evolução e crescimento constante. Com os recentes aumentos de custo do milho, farelo de soja, óleo de soja e outros ingredientes usados nas formulações de rações para aves e suínos, surge a necessidade de adoção de estratégias nutricionais que resultem em melhor aproveitamento dos nutrientes e conseqüente aumento de produtividade, amenizando, desta forma, o impacto negativo nos custos de produção. Desta forma, a biotecnologia mostra-se grande aliada na produção animal. A biotecnologia pode ser definida como conjunto de técnicas biológicas desenvolvidas por meio de pesquisa básica e aplicada à pesquisa e desenvolvimento de produtos. A biotecnologia diz respeito à utilização de DNA recombinante, fusão celular e novas técnicas de bioprocessamento, englobando atividades fermentativas, de cultura celular, de recuperação e de concentração de microorganismos ou de produtos do metabolismo microbiano, de produção de anticorpos, entre outros (Etherton, 2003). O desenvolvimento em escala comercial de ingredientes com maior biodisponibilidade, como os aminoácidos sintéticos e os minerais orgânicos, assumem um papel importante na melhoria da eficiência produtiva de aves e suínos, devido a melhor absorção e melhor utilização pelos animais, bem como na redução da poluição ambiental, por apresentarem menor excreção. Outra estratégia para melhorar o aproveitamento dos nutrientes dos alimentos é a utilização de enzimas exógenas na ração, aumentando a digestibilidade e reduzindo a ação de inibidores de crescimento. O uso de adsorventes de micotoxina, principalmente em dietas formuladas com ingredientes de baixa qualidade, também pode ser utilizado para a melhoria do desempenho, pois os animais alimentados com rações que contenham micotoxinas tornam-se susceptíveis à infecções entéricas. A utilização de antibióticos promotores de crescimento para manutenção da integridade do trato gastrintestinal é prática utilizada em larga escala nas indústrias avícolas e suinícolas (Albino et al., 2006). Atualmente, em função da pressão dos países importadores pelo banimento dos antibióticos das dietas animais, apoiados no aparecimento de cepas resistentes (Edens, 2003), os probióticos, prebióticos, simbióticos e ácidos orgânicos vêm ganhando espaço como alternativa para a melhoria da saúde intestinal. Ressalta-se ainda, a utilização de subprodutos da crescente indústria de combustíveis, como o resíduo seco de destilaria e glicerina, associados ou não com enzimas exógenas, na alimentação animal, possibilitando a redução dos custos de produção. Portanto, pretende-se com esta revisão mostrar como os Zootecnistas podem buscar a eficiência produtiva através da aplicação de biotecnologias na nutrição de aves e suínos. Conteúdo *Uso de aminoácidos sintéticos nas rações *Vitaminas *Minerais orgânicos *Selênio *Nucleotídeos *Antibióticos *Probióticos *Prebióticos *Enzimas *Resíduos secos de destilaria com solúveis (DDGS) *Glicerina *Fosfolipídeos Considerações finais A produção animal do futuro requer do Zootecnista a adoção das biotecnologias disponíveis e o desenvolvimento de novas biotecnologias que viabilizem o melhor aproveitamento das matérias-primas existentes e a melhoria na saúde e desempenho animal, através de produtos seguros que atendam as legislações cada vez mais exigentes. A biotecnologia torna-se ainda mais importante para um país como o Brasil, que ocupa uma posição privilegiada na produção e exportação de carnes de aves e suínos no competitivo agronegócio mundial, em que as margens são estreitas e os mercados distorcidos por subsídios dos países ricos. Ciências como a Glicômica, com o estudo das estruturas dos açucares para desenvolvimento de prebióticos e adsorventes, e a Nutrigenômica, com o estudo dos efeitos da nutrição na expressão gênica, estão sendo as aliadas da nutrição animal, a exemplo do que ocorreu e ocorre com a nutrição humana. Só permanecerá na atividade quem tiver a coragem de se abrir ao novo.