Introdução
O crescimento da população mundial exerce de forma efetiva um aumento da demanda por alimentos. Dessa forma, espera-se, por conseqüência, o crescimento da oferta de alimentos, quer seja pelo aumento da produtividade ou pela abertura de novas áreas para a exploração agropecuária. De uma forma ou de outra o impacto ambiental deve estar presente, tendo em vista que, na maior parte dos casos, não existe ações sustentadas para as atividades exploradas seguindo normas de boas práticas de manejo de água, de solo e de vegetação. Muitas dessas intervenções ocorridas, com o objetivo de aumentar a produtividade agropecuária, podem levar, em curto intervalo de tempo, a uma resposta contraria à desejada, sendo reflexo do uso de práticas perdulárias de exploração dos recursos naturais e dos insumos. Um exemplo típico dessas ocorrências é a degradação precoce das áreas de pastagens na região Norte do país, em função do uso de solos impróprios para o cultivo ou pela introdução de cultivares de plantas forrageiras que não se adaptaram às condições regionais ou pela eliminação de infra-estruturas naturais que realizam serviços ambientais essenciais para os sistemas de produção. Também, pode ser destacado, o uso inadequado do bioma caatinga no Nordeste do Brasil pela utilização de práticas que empregam a substituição da vegetação nativa por espécies exoticas não resistentes às condições áridas da região. Nessas condições de exploração, diversas plantas nativas estão sendo extintas sem que fossem de fato estudadas quanto ao potencial produtivo ou possibilidade de melhoramento genético, o que poderia representar opções de cultivo para a alimentação animal ou humana para essas áreas.
É importante destacar que o uso dos recursos naturais (solo permeável, água residente, ar, vegetação permanente diversificada) de forma inadequada está sendo apontado como causa da queda da produção agrícola e também da desertificação de áreas em todo o mundo e inclusive em determinadas regiões do Nordeste brasileiro. A queda de produção e a inadequação dos solos para a agricultura geram uma demanda por novas áreas, exercendo pressão sobre as matas, gerando um novo ciclo de desmatamento para abertura de novas áreas, até não ocorrer mais esta opção, em lugar de se optar por práticas conservacionistas e recuperadoras. Esse ciclo de destruição foi destacado no relatório publicado pela FAO (2006) que aponta os países em desenvolvimento como principais territórios para a ampliação da oferta de alimentos para o mundo, conseguida sob ações não sustentadas.
A interação entre os fatores de produção animal e o impacto ambiental causado pelas diversas atividades têm sido, cada vez mais, os objetivos de pesquisas relacionadas com as mudanças climáticas mundiais. Sendo assim, o conhecimento dos fatores que determinam a emissão de produtos poluidores e a conservação dos recursos naturais são fundamentais ao processo de redução do impacto ambiental causado pelos sistemas de produção animal, que ocupam a maior área geográfica na agropecuária brasileira. Dessa forma, esse artigo tem como objetivo, abordar as características da produção de bovinos e identificar práticas importantes para adequar a atividade às exigências de uma exploração racional sustentável, com a finalidade de se eliminar motivos de barreiras de exportação, como rastreabilidade da sanidade, emissão de gases de efeito estufa, e destruição de florestas tropicais, necessárias para regular o clima e os serviços ambientais regionais essenciais para manter o sucesso das atividades agropecuárias nacionais.
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