Resumo: A finalidade desse artigo é apresentar uma proposta para a produção e desenvolvimento de alimentos tradicionais, centrado na capacitação de extensionistas e pequenos produtores rurais. Baseando-se no modelo de Processo e Desenvolvimentos de Produtos Rurais (PDP-rural), proposto por Zuin e Alliprandini (2006), objetiva-se fornecer subsídios gerenciais aos pequenos produtores rurais, que já produzem alimentos tradicionais, seja para o comércio ou para o próprio consumo. Agregar valor às commodities agrícolas é uma das formas desse pequeno produtor inserir-se e manter-se no mercado. Fornecer ferramentas gerenciais, bem como conscientizá-los do seu papel como sujeito histórico que transforma a sua própria realidade, é a finalidade da ação educativa. Dessa forma, o desenvolvimento de alimentos tradicionais visa resgatar e valorizar a produção que é própria desses pequenos agricultores, de sua cultura local e de sua região. Conscientizá-los da importância de sua produção e de seus saberes, é contribuir para o desenvolvimento econômico do meio rural.
Palavras-chave: produção, alimentos tradicionais, capacitação e gestão.
Introdução
Atualmente, há um interesse crescente por parte dos consumidores por produtos diferenciados e de especial qualidade, que fuja da padronização e massificação da indústria alimentícia. A busca por essa qualidade é tanto por uma questão de saúde, como também, pela qualidade simbólica presente nesses alimentos, como tradição, origens e raízes, pois esses alimentos trazem arraigados na sua constituição a história particular de uma comunidade, de um território, de um grupo ou de uma região que o fizeram como únicos. Nesse contexto, a produção de alimentos tradicionais se torna um importante instrumento de fonte de renda e de desenvolvimento econômico para o homem que vive no campo, bem como para o seu local ou região. Os produtos tradicionais são aqueles que se constituem e fazem parte da história social de uma determinada cultura, local ou região. Vindos de um longo tempo, através de gerações que os foram produzindo e recriando, esses produtos marcam um processo que reúne relações sociais e familiares, num encontro entre o saber e a experiência; portanto, a produção desses alimentos é, ainda, uma arte construída ao longo do tempo através da tradição familiar.
Denominados também como produtos com história, esses alimentos eram, até há alguns anos, símbolos do atraso socioeconômico de um indivíduo, de uma região ou de um país. Todavia, dado ao fato da procura de alimentos diferenciados e de especial qualidade, feitos de maneira caseira, sem o uso de agrotóxicos, entre outros, esses produtos foram reconhecidos pela União Européia como elementos potencialmente capazes de revitalizar a economia dos meios rurais.
Tal fato fez com que a produção desse tipo de alimento ganhasse um importante destaque dentro do mercado, convertendo a história em um componente comercial do produto, o que legitima o argumento de que a tradição ajuda a vender, não só a vender mais, mas, principalmente, a vender melhor.Nesse sentido, estar capacitado num modelo para a gestão de processo e desenvolvimento de produtos é de fundamental importância para que o pequeno produtor rural consiga inserir-se no mercado, sem desconsiderar o contexto e a produção desses sujeitos. O modelo de processo e desenvolvimento de produtos rurais, proposto por Zuin e Alliprandini (2006), é a sistematização de como manufaturar esses alimentos tradicionais. A descrição de atividades concernentes à gestão possibilita ao produtor rural emancipar-se, por meio da produção de alimentos que já fazem parte de seu contexto.
Produzir esse tipo de alimento propicia ainda, o trabalho em família, pois envolve os saberes-fazeres das mulheres, já que são elas as principais produtoras desses alimentos, constituindo realmente o que vem sendo denominado “agricultura familiar”. Portanto, produzir esses alimentos seria uma alternativa para o desenvolvimento local, assegurando aos pequenos produtores a valorização de sua cultura, de sua história e de sua também de produção.
Conteúdo
Considerações Finais
Ao longo desse artigo, procuramos mostrar quais os conteúdos gerenciais e humanistas que devem ser trabalhados pelos capacitadores, a fim de fornecer subsídios aos pequenos produtores rurais. Os aspectos gerenciais, contextualizado por meio do modelo de desenvolvimento de alimentos tradicionais, objetiva fazer com que os pequenos produtores rurais se emancipem economicamente, valorizando a sua própria produção. De acordo com Paulo Freire, considerar a realidade, o contexto e as vivências dos educandos é essencial aos capacitadores. Desta forma, os procedimentos metodológicos que poderiam conduzir o processo de ensino-aprendizagem dos extensionistas e dos produtores rurais, centram-se no diálogo problematizador, a partir de temas geradores que fazem parte do contexto dos educandos.
Nesse sentido, é essencial que os capacitadores desenvolvam o seu trabalho sem dicotomizar o aspecto técnico, dos procedimentos e conteúdos ensinados, do aspecto cultural, ao qual estão inseridos os produtores rurais, somente assim haverá a comunicação e não a “invasão cultural” que está contida no ato de estender. Novamente, ressaltamos a produção de alimentos tradicionais como parte da cultura local e regional dos pequenos produtores rurais.
Pensar em gestão como conteúdo da capacitação necessita de uma avaliação constante por parte dos educadores extensionistas sobre a forma de condução da relação de ensinoaprendizagem dos pequenos produtores rurais. Assim, é extremamente importante que os capacitadores avaliem junto com os aprendizes essa prática sobre o objeto de conhecimento, para que juntos possam apontar os erros e acertos a fim de se transformar as futuras práticas. Portanto, estando a capacitação técnica além da técnica, o papel dos capacitadores é o de contribuir para a transformação social desses pequenos produtores rurais, por meio daquilo que eles sabem fazer de melhor que é a produção de alimentos tradicionais.
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