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Tecnologia para o Cultivo e Uso de Forrageiras Nativas

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  1. Professor Associado do DZ/CCA/UFPB – Areia - PB divan@cca.ufpb.br
  2. Professor Associado do DSER/CCA/UFPB – Areia - PB andrade@cca.ufpb.br

Resumo: O Nordeste tem uma população estimada em cerca de 22 milhões de habitantes e uma estrutura fundiária inadequada, apresentando problemas quanto à sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos, que aliados à alta irregularidade espacial e temporal das chuvas, dificultam sua manutenção e o seu desenvolvimento. Por outro lado, o super pastoreio pode provocar mudanças na composição florística da caatinga, principalmente do estrato herbáceo. Praticas de manejo para aumentar a disponibilidade de alimento no Semi-Árido brasileiro, como manipulação da caatinga, uso de adubações (química, orgânica), formação de bancos de proteína, suplementação alimentar, introdução de forrageiras, pastagens cultivadas, cultivo de espécies xerófilas tem sido sugeridas, mas, em geral, os resultados ainda são insipientes. No cultivo de forrageiras no Semi-Árido, como alternativa para viabilizar a pecuária, deve-se levar em conta à escolha da área, condições do ambiente, a espécie forrageira, o tipo e natureza da exploração, o preparo da área a ser empregado, a forma de plantio e manejo a ser aplicado. Para produzir forragem é necessário além de um campo de produção de forrageiras é preciso ter domínio da sua propagação. Portanto, no cultivo da maioria das espécies forrageiras nativas se faz necessário o uso de produção de mudas que pode ser em viveiros ou diretamente no campo, seja por sementes ou estaquia. Para obtenção de mudas com qualidade, se faz necessário definir o recipiente, substrato e a adubação que seja tecnicamente recomendados e economicamente viáveis. A pecuária é sem dúvidas a atividade de exploração mais adequada para o Semi-Árido, entretanto, é importante compreender que para seu sucesso é fundamental uma base alimentar que garanta alimento no período de escassez de forragem (época de estiagem), de forma que propicie um manejo adequado dos rebanhos, assegurando desta forma renda e lucro para o produtor. Assim, o cultivo de espécies forrageiras tais como palma, sorgo, maniçoba, flor de seda, capins elefante, buffel, urocloa, gramão, andropogon, cana de açúcar, leucena, jureminha, favela, dentre outras, a utilização de alternativas como a prática de conservação de forragens, fenação e ensilagem e usos de resíduos da agroindústria são essenciais para que a pecuária de pequenos ruminantes seja viável no Nordeste, mesmo que a caatinga apresente um baixo suporte alimentar. A pratica de cultivar forragens perenes e o uso da conservação de espécies da caatinga, na forma de feno ou silagem, é uma forma de incrementar o suporte forrageiro disponível para produção animal, além de diminuir a degradação do ambiente.

Palavras-Chave: caatinga, feno, suporte alimentar

 

Introdução
As regiões semi-áridas do mundo apresentam características peculiares que necessitam de estudos que possam viabilizar sua utilização de forma sustentável. A região Nordeste ocupa uma área de 1.548.000 km2, sendo que aproximadamente 70% é considerada Semi-Árida (900.000 km2), e caracterizada pela heterogeneidade das condições naturais, como o clima, solo, topografia, vegetação e características sócio-econômicas, com a existência de um regime pluviométrico que delimita duas estações bem distintas: uma curta estação chuvosa de 3 a 5 meses, denominada de "inverno" e uma longa estação seca chamada de "verão", que tem duração de 7 a 9 meses.

Uma característica importante dessa região é a alta imprevisibilidade das chuvas, observando-se uma variação interanual no regime de sua distribuição, tornando-se difícil às tomadas de decisão sobre o uso adequado de seus recursos vegetais. Enquanto a temperatura, a radiação solar e os aportes de nutrientes nos ecossistemas do Semi-Árido variam relativamente pouco durante o ano, a precipitação comumente ocorre em eventos descontínuos, em forma de pulsos de relativa curta duração (Noy-Meir, 1973).

Segundo Araújo Filho e Silva (1994) a produção de alimentos para o rebanho constitui, provavelmente, o maior desafio que enfrenta a pecuária nas regiões Semi-Áridas, principalmente devido à variabilidade e incertezas climáticas, tornando o cultivo de forrageiras uma atividade de alto risco, além de competir com a agricultura tradicional.

A vegetação da região Semi-Árida denominada de Caatinga é constituída de espécies vegetais, na sua maioria, xerófilas. O estudo das forrageiras xerófilas se reveste de crucial importância, quando se considera que estas formam um grande grupo de espécies, com plantas de interesse ecológico e econômico. No Brasil, as xerófilas correspondem a 74,3% da área do Nordeste e 13,5% da superfície total do País. O grupo é composto de inúmeras famílias botânicas de ervas, arbustos, árvores e cipós com diversas caracterizações, todas com um aspecto de alta relevância que é o de persistir nas condições áridas do nordeste, fornecendo biomassa, como fonte de energia, alimentando a fauna silvestre e os animais domésticos do Semi-Árido.

Há dois aspectos fundamentais e específicos que devem ser levados em consideração, quando da geração e aplicação de técnicas de cultivo e práticas de manejo de pastagem nativa: a complexidade da comunidade vegetal e o caráter ecológico do manejo. A primeira determina o segundo, uma vez que, as relações mútuas entre os componentes da comunidade vegetal, tais como, a competição e a sucessão, constituem fenômenos de natureza ecológica, prontamente afetados e manipulados pelo manejo. Portanto, é fácil concluir que as respostas do ecossistema da pastagem como um todo às práticas de manejo deve ser buscado inicialmente nas mudanças observadas nos componentes da vegetação, quer individualmente quer ao nível da comunidade.

Práticas para aumentar a disponibilidade de alimento no Semi-Árido, como manipulação da caatinga, uso de adubações química e orgânica, formação de bancos de proteína, suplementação alimentar, introdução de forrageiras, pastagens cultivadas, cultivo de espécies xerófilas tem sido praticado atualmente, mas com resultados ainda incipiente.

É importante ressaltar que explorar as potencialidades do Semi-Árido de forma sustentável e economicamente viável exige a compreensão de que a natureza tem que ser respeitada e ela é quem deve determinar a forma e a época em que as atividades agrícolas podem ser executadas. Na verdade pouco se tem por fazer para poder explorar as potencialidades do Semi-Árido, o que é necessário é aprender com a diversidade da natureza dessa região e pensando conceitualmente a semi-aridez como vantagem e não como desvantagem (Andrade et al., 2006).

 

Conteúdo

  • O desafio de produzior forragem no semi-árido
  • Espécies Vegetais com Potencial Forrageiro

 

Considerações Finais
A Caatinga tem um potencial forrageiro que precisa ser mais bem conhecido e estudado como explorá-la, buscar alternativas para aumentar a produção animal como, por exemplo, a prática de cultivar espécies nativas como lavoura xerófila regular, assim como a formação de bancos de proteínas, uso de práticas de manipulação da vegetação e de conservação de forragens. A pratica de cultivar forrageiras nativas é essencial para aumentar a disponibilidade de forragem para o rebanho da região Semi-Árida. É necessário o incentivo e capacitação dos produtores para a preparação de mudas, o conhecimento das espécies da caatinga, a forma de propagação e conscientizá-los da necessidade de formação de banco de sementes. O conhecimento da produção de matéria seca total (MS) por espécie é fundamental para se determinar à carga animal por área, sendo possível se avaliar a quantidade de alimento que estará disponível ao rebanho durante um período determinado. Da mesma forma, o conhecimento da composição química, dos compostos anti-qualitativos e dos valores de digestibilidade dos alimentos que compõem a dieta dos ruminantes é de fundamental importância dentro do processo produtivo.

Para uma melhor eficiência do uso dos recursos da caatinga na exploração pecuária, se faz necessário, além de conhecer as práticas de cultivo das espécies da caatinga que possibilite aumentar a produção de forragem, é de fundamental importância a utilização de práticas de conservação em forma de feno ou silagens. A maioria dos trabalhos com pastagem nativa na região Semi-Árida brasileira carece de um ajuste mais criterioso da metodologia de avaliação dos resultados, no só, em termos das variáveis a serem mensuradas, como também do detalhamento das técnicas utilizadas. Para isto, no entanto, é necessário que o fundamento ecológico do manejo da pastagem nativa e a noção exata de que se manipula um ecossistema complexo e frágil se arraiguem profundamente no espírito do pesquisador. A formação e o manejo de pastagem no Semi-Árido devem enfocar basicamente a utilização sustentável dos recursos forrageiros já adaptados. Isto evidencia a necessidade e urgência de se desenvolver sistemas de produção adaptados a dinâmica da vegetação da caatinga e as condições edafoclimáticas da região.


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Ricardo de Sousa Ferreira em 29/11/2010 12:58:20
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Gostei do conteudo do site e gostaria de participar da associação.
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Katia Magalhães Abreu em 22/05/2012 13:38:40
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Estou escrevendo um projeto buscando espécies com potencial economico para serem cultivadas no semiárido e gostaria de obter o este artigo na íntegra
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