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Manejo Nutricional de Pequenos Ruminantes em Regiões Semi-Áridas

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  1. Professora do Departamento de Zootecnia da UFRPE, Recife/PE 

Introdução
A criação de pequenos ruminantes sempre teve seu lugar no mercado por oferecer produtos de alta qualidade: leite, carne e pele. No panorama mundial, segundo a FAO (2004), os maiores detentores de rebanhos ovinos são a China, a Austrália e a Índia, que concentram, respectivamente, 15%, 9% e 6% do efetivo mundial. Quanto aos caprinos, os maiores criadores são: China, Índia e Paquistão, que, conjuntamente, concentram 47% do rebanho do globo. A América do Sul participa com 6,74% e 2,72% dos rebanhos mundiais de ovinos e caprinos, respectivamente e o Brasil detém os maiores rebanhos, sendo 14.182.000 ovinos (20,45% do total) e 9.087.000 caprinos (43,88%) seguido pelo Peru e a Argentina. Entretanto, a produtividade da ovino/caprinocultura no Brasil ainda é baixa, atribuída, em parte, pelo regime de exploração, que predominantemente é extensivo, com baixo emprego de tecnologia.

A exploração racional de ovino/caprinocultura vem se destacando nos últimos anos por suas características de alta lucratividade e rápido giro financeiro. Porém, é válido lembrar que a produtividade é alcançada quando são considerados os aspectos genéticos, sanitários e nutricionais do rebanho, sendo este último, o fator que reflete mais rapidamente sobre a produção. Novos criadores têm surgido e os rebanhos têm sido ampliados. Todavia, ainda existem muitas falhas no manejo nutricional e alimentar desses animais, podendo assim causar prejuízos financeiros ao criador bem como ao bem estar e saúde dos animais.

Para o AFRC (1991), a máxima eficiência produtiva só pode ser obtida com o conhecimento adequado das exigências nutricionais dos animais e da composição química dos alimentos. No Brasil, as exigências nutricionais de pequenos ruminantes têm sido pouco estudadas e, portanto, o balanceamento das dietas tem sido feito com base nas recomendações preconizadas pelos boletins internacionais AFRC, ARC, INRA e NRC, entre outros, desenvolvidos em países de clima temperado e que expressam as exigências de animais daquelas regiões. A adoção destes dados na formulação de rações para animais no Brasil pode não proporcionar os resultados esperados, seja pela falta ou pelo desperdício de nutrientes. Assim, torna-se necessário estabelecer padrões alimentares de caprinos e ovinos nas condições brasileiras, para obtenção de um sistema nutricional mais eficiente e econômico, principalmente daqueles criados em região semi-árida, já que é neste ambiente que se concentra o maior percentual do rebanho nacional em relação às demais regiões brasileiras (93% e 56,6%, respectivamente, para caprinos e ovinos), segundo IBGE ( 2003).

Desta forma, para o planejamento alimentar adequado dos rebanhos faz-se necessário estabelecimento de estratégias de produção, uso e armazenamento de alimentos para os animais visando o atendimento das exigências nutricionais. Fica claro então, que o desafio, especialmente em regiões semi-árida devido à dificuldade de produção de alimentos, é conseguir atender às exigências nutricionais desses animais ao longo do ano, e confeccionar rações econômicas e sem prejuízo a saúde dos animais respeitando-se as características intrínsecas dessa região.

 

Conteúdo

  • Categorização do Rebanho
  • Exigência Alimentar
  • Potencial de Produção de Pequenos Ruminantes em Regiões Semi-Áridas

Considerações Finais
A adaptabilidade das raças nativas do semi-árido é bastante conhecida, assim como a extensa flexibilidade alimentar desses pequenos ruminantes, refletida na ampla variação dos seus hábitos alimentares em função da disponibilidade de alimento. Porém, é explícito que em função da variação sazonal do valor nutritivo da caatinga e as altas taxas de lotação aplicadas fazem com que esta, por si, não possa garantir as necessidades nutricionais dos animais em pastejo. Surge, então, a urgente necessidade de manejar adequadamente a carga animal, para deixar ser uma exploração extrativista dos recursos naturais existentes e passar para uma exploração racional, voltada para o manejo e a conservação dos recursos naturais do meio em questão. Para isso, os estudos sobre exigências nutricionais de pequenos ruminantes desse bioma precisam ser fortalecidos e incentivados, para que permitam que as dietas sejam formuladas tomando com base as necessidades nutricionais reais de nossos animais. Aí então, a relação custo/benefício na produção animal da região semi-árida poderá ser efetivamente reduzida.


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