O MAPA destacou a colaboração do condecorado para os avanços pedagógicos do ensino da área de zootecnia no Brasil, ao publicar oito livros, mais de 70 artigos e quase 200 trabalhos em eventos nacionais e internacionais.
No último dia 28 de julho, o zootecnista Walter Motta Ferreira recebeu a medalha Apolônio Salles (categoria prata) durante evento comemorativo dos 150 anos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O MAPA destacou a colaboração do condecorado para os avanços pedagógicos do ensino da área de zootecnia no Brasil, ao publicar oito livros, mais de 70 artigos e quase 200 trabalhos em eventos nacionais e internacionais. Entre outras atividades, Walter Motta hoje preside a Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ) e leciona como professor associado na Universidamente Federal de Minas Gerais (UFMG).
Premiação - A medalha Apolônio Salles foi instituída pelo Decreto 94.788/87, nas categorias prata e bronze, e destina-se a premiar servidores, cidadãos estrangeiros ou brasileiros que tenham contribuído para o agronegócio. O patrono foi ministro da Agricultura por duas vezes durante o governo de Getúlio Vargas. Em 2010, além de Walter Motta, foi também condecorado o engenheiro agrônomo Eudes de Souza Leão Pinto.
Confira o discurso de Walter Motta Ferreira na íntegra:
DISCURSO PRÊMIO APOLÔNIO SALLES 2010
Excelentíssimo Senhor Wagner Rossi, Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Ao citar Vossa Excelência estendo meus cumprimentos às demais autoridades presentes nesta solenidade,
Senhores Servidores, Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Permitam-me que possa expressar minha imensa alegria e emoção pela honrosa distinção recebida dizendo-lhes breves palavras.
Muito jovem ingressei no serviço público federal. Cumpro 32 anos de atividade como docente universitário, interrompido apenas alguns meses quando fui atingido por ato amparado pela tecnocracia militar em fins dos anos 70. Não absorvi este infortúnio como punição permanente, procurei com algum sofrimento soerguer-me e refinar meu olhar sobre a vida e dedicar-me ainda mais à pesquisa, ao ensino e a extensão universitária, particularmente a que realizo na área da Zootecnia.
Tenho aprendido muito nestes anos e continuo desaprendendo e aprendendo de novo, em exercícios de idéias, debates e convencimentos mútuos entre meus pares e interlocutores.
Permaneço com vícios acadêmicos e não poderia ser diferente. Preciso citar pensadores mais qualificados para que percebam minhas próprias preocupações.
Leonardo Boff em uma de suas eloqüentes conferências disse-nos com toda intensidade de verdade: é preciso sempre optar pela Vida!
Também relevo a Humberto Maturana, neurobiólogo de origem chilena a orientação que é melhor repartir os problemas que as soluções. Um problema examinado coletivamente pode receber soluções mais robustas, mais lúcidas, duradouras e consensuais.
Referenciados estes preceitos posso então dizer por que tenho modestamente defendido, assim como muitos, a transformação educacional e cultural das pessoas como forma basilar de se alcançar a plenitude do desenvolvimento.
Provavelmente não há outra solução senão investir na formação e na transformação dos homens e mulheres deste País.
No campo das profissões agrárias não é suficiente ter um título ou ter recebido treinamento em uma determinada habilitação técnica para dotar-se como indivíduo com capacidade de promover mudanças.
Não é suficiente nem inteligente que se defenda que uma dada profissão seja por tradição ou hegemonia social é melhor ou mais efetiva em resolver desafios que outras. Ninguém faz nada isoladamente! Sempre se aprende com o outro!
É preciso também fazer germinar em cada um de nós para além do conhecimento acumulado, mais amor pela terra, por sua gente, por seus valores, por sua cultura endógena.
É fundamental que nossos olhares se entrelacem com mais solidariedade, mais fraternidade e com a esperança de compartilharmos a construção de uma Nação soberana, independente e desenvolvida, com justiça social e menor tensão urbana e rural.
Em minha partícula de trabalho, procuro despertar em meus estudantes que os lucros e rendimentos possíveis nos sistemas produtivos somente são realizáveis quando haja compromisso mediado pelo senso de observação crítica, humanidade e zelo técnico em cada ato.
Respeito e ética na manipulação dos recursos naturais e nas conquistas econômicas, com vistas ao bem-estar e segurança alimentar humana, são elementos estruturantes para promoção dos sistemas de produção onde se inserem seres vivos.
Não há dúvidas que nos novos cenários que se despontam os profissionais e os produtores implicados na intervenção ou no manejo dos recursos naturais, devem trabalhar juntos para buscarem alternativas de desenvolvimento sustentável onde se promulga economia de carbono e diminuição dos impactos da produção.
Sustentabilidade, nesta perspectiva, é desenvolver a Sociedade sem comprometer as necessidades das gerações seguintes.
As mudanças climáticas que o planeta experimenta podem se constituir em uma imensa barreira para a agricultura e pecuária. É possível que em pouco tempo à frente tenhamos tanto a falta de alimentos quanto o agravamento de sua distribuição.
Se não tomarmos atitudes imediatas para remediar este vaticínio a fome no mundo se tornará uma mazela ainda mais cruel sobre a vida humana.
Temos de preparar muito bem nossos jovens profissionais para responderem com a mesma competência as demandas tanto do Agronegócio quanto da Agricultura Familiar. E mais, que saibam humanizar a gestão dos negócios percebendo a imensa contribuição que fazem para a permanência harmoniosa de nossa espécie no planeta.
Precisamos ampliar os estudos e a geração de tecnologias de ponta ao tempo que também sejam elaboradas boas estratégias relativas às Tecnologias Sociais que possuem alta relevância fora da escala de exportação, mas, de significativa repercussão no Produto Interno Bruto de nosso país e da manutenção do homem no campo com vida digna.
A Zootecnia já está de prontidão para o presente e o futuro! Não abriremos mão de sermos uma das áreas protagonistas das soluções de promoção da vida humana com segurança alimentar e qualidade.
Esta é a mensagem que gostaria de oferecer às vossas reflexões. Agradeço de todo o coração à indicação generosa da Sociedade Brasileira de Zootecnia e das instâncias que homologaram esta importante medalha que me foi concedida. Só posso retribuir tal homenagem com mais trabalho e dedicação. Muito obrigado!
Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)
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